Liberdade e independência para agir e pensar das pessoas com 60 anos ou mais

Mauro de Oliveira Freitas é graduado em Direito pela PUC/RS, Inscrito na OAB nas seccionais RS, SP, DF e CE. Possui MBA pela FGV. É sócio fundador do escritório Oliveira Freitas Advogados, fundador e ex-presidente da Redejur – Associação de Escritórios de Advocacia Empresarial; presidente da Associação Brasileira do Cidadão Sênior; presidente da Comissão de defesa do direito da pessoa idosa / OABDF; membro da Comissão de defesa do direito da pessoa idosa do Conselho Federal da OAB; Conselheiro no Conselho Nacional do Idoso – Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos; professor de Ética e Direito do Idoso na Escola Superior de Advocacia da OABDF; Professor de Pós-graduação da DALMASS – Escola de Lideres-OAB GOIÁS; ex-presidente do Comitê de legislação da AMCHAM/DF; Ex-Coordenador da Comissão de Relações Internacionais da OAB-DF. Tem longa experiência profissional nas áreas contenciosa e consultiva, em advocacia empresarial e trabalhista, bem como em direito regulatório junto aos órgãos públicos de Brasília, como CADE, TCU, Ministérios e Agências

Você já imaginou o quanto são importantes a independência e a liberdade para você? Será que é possível mantê-las mesmo depois de alcançar a condição de pessoa idosa? A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera idoso todo indivíduo com 60 anos ou mais. Hoje o Brasil já conta com mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, o que representa 13% da população do país! O Rio Grande do Sul, por exemplo, desde 2019 já conta com mais avós do que netos! O número de pessoas idosas no Brasil tende a dobrar nas próximas décadas, segundo a Projeção da População divulgada em 2018 pelo IBGE, o que significa que em breve o país contará com 25% do total de brasileiros com mais de sessenta anos, ou seja, algo em torno de 53 milhões de indivíduos.

Se você é uma dessas pessoas que ainda tem menos que sessenta anos, certamente tem o desejo de ter uma vida longa, com autonomia e liberdade, pois estudos demonstram que essa é a condição de vida que maior parte da futura geração de idosos manifesta como ideal, ou seja, envelhecer no lugar em que sempre viveu e cultivou suas amizades e hábitos, em vez de instituições de longa permanência ou outro lugar que não vincule qualquer memória afetiva.

Viver em instituições de longa permanência pode vir a ser a melhor alternativa para algumas pessoas idosas e com boas condições financeiras, mas certamente não representa o ideal para a maior parte das pessoas que espera permanecer em suas casas quando envelhecer. A própria pandemia que estamos enfrentando, em razão do COVID-19, levantou muitos aspectos sobre as vantagens e desvantagens que podem existir na decisão de mudar para uma instituição de longa permanência.

O fato é que muitos idosos irão preferir continuar vivendo em suas residências, mantendo mesmos hábitos e relacionamentos sociais estabelecidos ao longo de suas vidas, o que irá demandar novos produtos e serviços para essa população que, até 2060, será maior que a de jovens. A expectativa do IBGE é que até 2024 o número de idosos dobre, e que em 2060 o percentual de idosos será de 25,5%. Isso significa que 1 em cada 4 brasileiros será idoso!

A futura geração de idosos, segundos estudos recentes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, assim como também percebemos no Brasil, tem como objetivo permanecer em sua própria casa e comunidade com segurança, independência e conforto, seja qual for a idade, renda ou nível de habilidade. Pesquisas apontam que adultos com mais de 60 anos desejam envelhecer no mesmo lugar que estão habituados a morar e onde possuem histórico de uma vida social ativa.

Diante de tal cenário, não é difícil imaginar como este mercado irá movimentar grande quantidade de demandas de consumidores sêniores, seja por novos serviços, produtos ou novas profissões, exigindo adaptação urgente de novas políticas públicas que garantam uma vida longa e digna para o idoso e seus familiares.

A nova economia da longevidade, que já atende às necessidades de brasileiros sêniores e profissionais que atuam para esse público, irá movimentar um mercado bilionário no Brasil nos próximos anos, forçando uma adaptação urgente dos entes públicos e privados para garantirem novas demandas em termos de turismo, alimentação, entretenimento, moradia, novos medicamentos, planos de saúde, hospitais, cuidadores de idosos, mobilidade urbana, inclusão digital, aparelhos eletrônicos, educação, homecare, educação financeira, vestuário etc. Tudo isso exigirá profissionais com novos perfis e qualificações especiais.

Dados apontam que 50% do consumo global é gerado por pessoas com idade acima de 50 anos e que, no Brasil, os idosos consomem R$ 1 trilhão por ano, o que já equivalia a 13,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018.

Os futuros idosos querem manter os vínculos estabelecidos com pessoas e lugares que estão acostumados, preservando ao máximo a independência conquistada ao longo de suas vidas, principalmente após estudarem em universidades, exercerem carreiras, criarem seus filhos e alcançarem uma qualidade de vida, não raro, melhor que as gerações que os antecederam. Além disso, não abrem mão de tomarem suas próprias decisões quanto ao estilo de vida, finanças, viagens, relacionamentos pessoais, crenças e rotinas, por exemplo.

Querer permanecer na própria casa em que viveu antes de se tornar idoso tem a ver com o apego aos valores sentimentais e afetivos que vinculam as pessoas ao local onde vivenciaram muitas histórias e momentos marcantes. Muitos momentos memoráveis ​​aconteceram lá com seus filhos, família, amigos e comunidade, razão pela qual não é de se estranhar o apego ao local e a intenção de permanecer ali até o fim dos seus dias.

Porém, para que o idoso possa permanecer na sua residência na fase do envelhecimento, são necessárias algumas adaptações, bem como produtos e serviços que possam servir para apoiar essa condição, ainda mais quando tratamos de pessoas idosas que vivem sozinhas. Aliás, o número de idosos que vivem sozinho vem aumentando cada vez mais, sendo que em 2013 já correspondia a uma proporção de 15,3%. Hoje, certamente, o percentual ultrapassa 17% e corresponde 30% a mais no caso das mulheres.

Abaixo podemos citar alguns produtos e serviços que essa população precisará e buscará à medida que envelhece e busca viver de modo independente.

Serviços de concierge virtual. Já podemos verificar algumas iniciativas de vanguarda, que crescerão ainda mais, pois, conforme envelhecem, os idosos passam a precisar cada vez mais de uma variedade de serviços e suporte para o seu dia a dia. Haverá oportunidades para criar uma espécie de “concierge virtual”, por telefone, aplicativos, chat de vídeo, texto ou e-mail, que fornecerá serviços especiais sob demanda, como cuidadores, acompanhantes, compras em supermercado, limpeza, cuidados para animais de estimação, assistência técnica, fisioterapia etc.

Novos modelos de habitação, como a chamada “coabitação”. Ao envelhecem, algumas pessoas perderão seu parceiro e ficarão sozinhos. A solução para esse problema será coordenar o “coliving” de 2 a 4 idosos em uma casa ou condomínios com centros de convivências e serviços compartilhados, talvez com um cuidador morando também na propriedade e dividindo sua atenção no cuidado do grupo.

Visita de cuidadores ou técnicos de enfermagem. Este segmento está atualmente explodindo, normalmente é um cuidador que visita a casa alguns dias por semana, apenas para observar os idosos e verificar eventuais necessidades que possam ter, numa espécie de monitoramento de rotina. Filhos recebem bem esse serviço porque ficam tranquilos sabendo que alguém está cuidando de seus pais, principalmente quando moram sozinhos.

O serviço de organização da casa é uma atividade que também vem crescendo. Arquitetos especializados em adaptar moradias para idosos preparam a casa para evitar acidentes domésticos. Uma das ameaças mais significativas ao envelhecimento dos idosos são as quedas. Portanto, outro segmento de serviços para idosos será o de profissionais capacitados para entrarem na casa e verificar a proteção com grades, barras de segurança em banheiros, disposições de móveis e utensílios, tais como a retirada de tapetes, mesas baixas, vidros em lugares altos na cozinha e uma infinidade de outros ajustes de segurança ou mobilidade.

Suporte de ensino e utilização de tecnologia. Com tanta tecnologia chegando em casa, os idosos precisarão de ajuda para administrar tudo isso. Eles precisarão de estímulo e suporte para fazerem uso de celulares, aplicativos para smartphones, eletrodomésticos mais sofisticados, computadores, redes wifi, programas de televisão por assinatura, configuração de termostatos, ar-condicionado, alarmes e muitas outras novidades e utilitários que surgem a cada dia.

Monitoramento e alertas de atendimento domiciliar. Com o monitoramento de vídeo, o RING e o Apple Watch, há bastante tecnologia entrando em casa. Algumas dessas tecnologias podem ser vinculadas a um aplicativo, que monitora remotamente a saúde ou o movimento de alguém e, em certas circunstâncias, pode enviar alertas para familiares e amigos. Já existem alguns serviços sendo oferecidos no Brasil, mas muitas pessoas idosas apresentam resistência quando o assunto é monitorá-las.

Transporte por aplicativos, solicitação de comida em casa, remédios, compras via marketplace, ou seja, compras online, exigirão aplicativos simples e seguros, com medidas para evitar que as pessoas idosas sejam vítimas de golpes, como é comum observar nas ofertas de empréstimos, cartões de crédito e outras práticas criminosas.  

Novos modelos de planos de saúde e atendimento médico, home care bem estruturado, serviços jurídicos especializados, serviço de beleza domiciliar, tele atendimentos médicos e psicológicos são exemplos de tantos outros serviços voltados ao atendimento das necessidades da pessoa idosa.

Refeições preparadas para pessoas com restrições alimentares. Existe uma geração que está envelhecendo e busca se alimentar melhor e de forma mais saudável. Estudos mostram que a nova geração de idosos se preocupa em adotar uma alimentação mais saudável ​​e, em alguns casos, refeições veganas, por exemplo. À medida que envelhecem, as pessoas idosas cozinham menos e as refeições preparadas com o devido cuidado e entregues no domicílio serão uma opção mais prática e recomendável.

Eis alguns exemplos de serviços e produtos que a crescente população de idosos irá demandar!  Trata-se de uma população que detém importante percentual da riqueza no Brasil e que gastará seu dinheiro para viver uma vida confortável e com experiências que, muitas vezes, não teve condições de desfrutar na fase mais jovem.

Portanto, diante desse cenário, não é difícil perceber a oportunidade crescente de se montar um negócio voltado para pessoas idosas. Essa é uma população que cresce de forma acelerada e boa parte dela possui excelente condição financeira e precisará de soluções práticas para viver bem, com independência e liberdade.

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